História

A Ordem dos Farmacêuticos foi fundada a 24 de julho 1835, na Botica do Hospital de São José, na altura como Sociedade Farmacêutica de Lisboa e logo depois como Sociedade Farmacêutica Lusitana, de que é hoje a legítima continuadora.
Nos seus primeiros anos de atividade esteve sedeada no Convento dos Carmelitas Descalços. Mudou-se depois para o Convento de São João Nepumoceno e daí para o Recolhimento da Mouraria. Até final do século XIX passou ainda por várias casas alugadas, a última das quais no n.º 234 da Rua dos Fanqueiros, mas esta frequente mudança de instalações até início do século passado fez nascer o desejo de os farmacêuticos adquirirem uma casa própria.
Em fevereiro de 1901, a Sociedade inaugurou finalmente a sua sede, que lhe custara a importância de 9.503$39, financiada com a emissão de obrigações subscritas por farmacêuticos. A nova sede localiza-se numa zona de Lisboa, entre o Marquês de Pombal e o Campo dos Mártires da Pátria, hoje considerada antiga e que ainda possui numerosos edifícios centenários em razoável estado de conservação. Situa‑se no gaveto formado pela Rua Bernardim Ribeiro e pela outrora designada Rua n.º 4 do Bairro Camões, que, com a construção do novo edifício-sede, passou a denominar‑se Rua da Sociedade Farmacêutica, traduzindo, assim, o reconhecimento do município de Lisboa pelos relevantes serviços prestados pela Sociedade Farmacêutica Lusitana.
O local é de fácil acesso viário e pedonal, mas apresentava grande dificuldade de parqueamento em superfície. Inicialmente, o imóvel dispunha de dois pisos com uma área bruta de construção diferente, sendo superior a do segundo piso, o que se explica devido à forte inclinação da Rua Bernardim Ribeiro.
Como era característico nas construções da época, a sua estrutura apresentava-se em alvenaria de pedra e elementos de madeira, nomeadamente na constituição dos pavimentos e estrutura da cobertura. Embora as linhas arquitetónicas do edifício sejam de grande simplicidade, o interior apresentava alguns elementos decorativos de grande beleza e riqueza para a história da profissão, como os são os casos dos tetos e mobiliário do Salão Nobre, da Biblioteca ou do Gabinete do Bastonário.
Destacavam‑se ainda o vitral ricamente policromado com o símbolo da Farmácia, que está colocado sobre a entrada, e o painel de azulejos que representa uma gravura clássica do alquimista, com uma majestosa cercadura barroca. Ambos colocados em 1927, por altura do 1.º Congresso Nacional de Farmácia.
Com o passar dos anos, e com mais evidência a partir da década de 60 do século passado, começou a tornar‑se notório o estado de degradação a que o velho imóvel chegara. Além do aspeto nada condizente com o mínimo de dignidade exigível para a importância e significado de uma Ordem Profissional, estavam ainda em causa aspetos relacionados com a insuficiência e funcionalidade dos serviços administrativos, bem como da própria segurança do edifício, que apresentava já indícios de ameaça de ruína.
Com o passar dos anos, e com mais evidência a partir da década de 60 do século passado, começou a tornar‑se notório o estado de degradação a que o velho imóvel chegara. Além do aspeto nada condizente com o mínimo de dignidade exigível para a importância e significado de uma Ordem Profissional, estavam ainda em causa aspetos relacionados com a insuficiência e funcionalidade dos serviços administrativos, bem como da própria segurança do edifício, que apresentava já indícios de ameaça de ruína.

No início dos anos 80, a Direção da Ordem então eleita, liderada pelo bastonário Alfredo Albuquerque (1982-1989), decidiu proceder não apenas a obras de conservação e de reforço da segurança, como também de beneficiação das instalações existentes, por via de um aumento da área disponível, obtida com o desaterro do rés‑do‑chão. Esta obra, que permitiu aumentar a área utilizável, veio valorizar extraordinariamente o imóvel e ajudar a resolver os sérios problemas de índole administrativa que então existiam. Com esta ampliação, o edifício da sede ficou com uma área bruta de construção de 808m2.
Uma década mais tarde, surgiu a possibilidade de se adquirir o prédio contíguo às instalações da sede histórica da Ordem. Tratava‑se de um edifício bastante degradado, com um terreno com uma área total de 142m2 – correspondente a uma área coberta de 112m2 e a um logradouro de 30m2 –, que oferecia uma oportunidade única de ampliação da sede.
Uma comissão então nomeada levou a cabo a angariação de fundos e apoios junto das empresas e profissionais farmacêuticos, reunindo-se assim condições para a celebração do ato oficial de escritura de compra e venda, realizado na sede da Ordem, na presença do então bastonário, Carlos Silveira (1990-1996), e da presidente da Secção Regional de Lisboa, Clara Carneiro.
Embora este projeto pioneiro, que tinha por base um regime de copropriedade com outras organizações farmacêuticas, não tivesse reunido as condições necessárias para ser posto em prática, tendo sido rejeitado em Assembleia Geral, a verdade é que durante muito tempo se procurou encontrar uma solução para a construção de novas instalações no mesmo local, de propriedade exclusiva da OF.
A concretização da obra – que passava pelo aproveitamento e e/ou demolição do atual imóvel e a construção de um novo edifício com aproveitamento do espaço entretanto adquirido – revelou‑se sempre um projeto de difícil execução. Além dos aspetos técnicos relacionados com a execução da obra e o seu financiamento, havia que transferir provisoriamente os serviços da Ordem para outro local. Infelizmente, circunstâncias várias fizeram com que o projeto fosse sucessivamente adiado e, assim, o prédio contíguo adquirido continuou a degradar‑se, sem que tivesse qualquer serventia digna de registo para a Ordem.
Os constrangimentos relacionados com a sede histórica da OF mantiveram‑se então até aos dias de hoje. Apesar dos aspetos históricos e sentimentais evocados por muitos farmacêuticos para que a OF permanecesse no edifício centenário que ocupa, vários grupos de trabalho nomeados pelos bastonários João Silveira (1994-2000), José Aranda da Silva (2001-2007) e Carlos Maurício Barbosa (2009-2015) foram incumbidos de estudar e propor soluções alternativas e sustentáveis para acolher a casa dos farmacêuticos.
Foi neste contexto que os farmacêuticos aprovaram a aquisição dos imóveis no Parque das Nações, em 2005, e na Av. Almirante Gago Coutinho, em 2009, ambos alienados posteriormente, também por decisão da Assembleia Geral, tendo em vista a concretização de um projeto que mantivesse a OF na Rua da Sociedade Farmacêutica e permitisse a reabilitação e integração dos dois edifícios como sede da Direção Nacional e da agora denominada Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas (SRSRA-OF).
Os estudos técnicos para a preparação de um projeto de recuperação do edifício da Rua Bernardim Ribeiro iniciaram-se em 2014, durante o mandato do bastonário Carlos Maurício Barbosa e de Ema Paulino, como presidente da SRSRA-OF. Com a eleição da bastonária Ana Paula Martins (2016-2021), os trabalhos são alargados e aprofundados para uma empreitada de reedificação de ambos os antigos edifícios, sendo nesse mesmo ano publicado o Concurso Público de Conceção do Projeto de Arquitetura, do qual viria a resultar o projeto arquitetónico aprovado pelos farmacêuticos em sede de Assembleia Geral.

O projeto de renovação e ampliação da Sede da OF englobou assim os dois edifícios na Rua da Sociedade Farmacêutica e na Rua Bernardim Ribeiro, conciliando as necessidades identificadas pela instituição com as normas e orientações expressas nos regulamentos urbanísticos da Câmara Municipal de Lisboa.
A preservação da imagem do edifício, com a ampliação "tipo mansarda” e integração de um novo volume, conferiu ao novo complexo uma imagem renovada, sóbria e contemporânea, consistente com as características morfológicas do tecido urbano onde se insere. Além de preservar a identidade urbana do edifício, o projeto salvaguardou alguns elementos de valor arquitetónico e histórico para todos os farmacêuticos.
O projeto incluiu a demolição integral do edifício na Rua Bernardim Ribeiro e a demolição parcial do edifício da Rua da Sociedade Farmacêutica, sobretudo de elementos construtivos interiores, como as lajes de madeira, paredes de tabique e vigamento de cobertura em madeira. As paredes exteriores de frente para os arruamentos foram mantidas e reabilitadas, sendo feita a sua contenção periférica, e a escavação dos pisos abaixo do solo, com recurso a paredes moldadas.
Quase três anos depois do início da obra, os serviços da OF regressaram ao edifício que acolhe a instituição há mais de um século. Mantendo o traço que sempre o caracterizou, mas proporcionando melhores condições de funcionamento e de acolhimento aos farmacêuticos e a todos os seus parceiros e visitantes.
O projeto incluiu a demolição integral do edifício na Rua Bernardim Ribeiro e a demolição parcial do edifício da Rua da Sociedade Farmacêutica, sobretudo de elementos construtivos interiores, como as lajes de madeira, paredes de tabique e vigamento de cobertura em madeira. As paredes exteriores de frente para os arruamentos foram mantidas e reabilitadas, sendo feita a sua contenção periférica, e a escavação dos pisos abaixo do solo, com recurso a paredes moldadas.
Quase três anos depois do início da obra, os serviços da OF regressaram ao edifício que acolhe a instituição há mais de um século. Mantendo o traço que sempre o caracterizou, mas proporcionando melhores condições de funcionamento e de acolhimento aos farmacêuticos e a todos os seus parceiros e visitantes.