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Bebidas energéticas: efeitos e riscos nos jovens

  • Cidadão
  • PROMOÇÃO DA SAÚDE
14 Setembro 2026
Bebidas energéticas: efeitos e riscos nos jovens

As bebidas energéticas têm vindo a tornar-se cada vez mais populares, sobretudo entre os jovens, sendo habitualmente consumidas para aumentar o estado de alerta, prolongar o tempo de estudo, combater o cansaço ou melhorar o desempenho físico. Apesar do nome, estas bebidas não fornecem uma energia saudável ou duradoura. O seu efeito estimulante deve-se sobretudo à cafeína, frequentemente associada a quantidades elevadas de açúcar, entre outros ingredientes.

A ingestão destas bebidas pode causar efeitos indesejáveis, sobretudo quando ocorre em grandes quantidades, de forma frequente ou em combinação com outras fontes de cafeína. Conhecer a sua composição e os possíveis riscos para a saúde é, por isso, particularmente importante entre os mais jovens, para prevenir o seu consumo e promover escolhas mais informadas.


O que são bebidas energéticas?

As bebidas energéticas são bebidas não alcoólicas que contêm geralmente concentrações elevadas de cafeína. Podem também incluir uma elevada quantidade de açúcar e outros ingredientes estimulantes, como taurina, guaraná, ginseng, glucuronolactona, vitaminas ou minerais. As versões designadas por "zero” ou "sem açúcar” podem ter menos calorias, mas continuam a conter cafeína e outros estimulantes. 

A quantidade de cafeína pode variar consideravelmente entre produtos e de acordo com o tamanho da embalagem. Por exemplo, uma bebida energética de 250 ml pode conter cerca de 80 mg de cafeína, enquanto uma embalagem de 500 ml pode atingir aproximadamente 160 mg. Existem ainda produtos concentrados, habitualmente designados por energy shots, que podem conter quantidades muito elevadas de cafeína num volume reduzido.

A cafeína também pode estar presente em ingredientes como o guaraná e a erva-mate. Por esse motivo, é importante consultar o rótulo e verificar a quantidade total de cafeína presente na bebida.


Porque é que estas bebidas são atrativas para os jovens?

Estas bebidas são frequentemente promovidas como produtos capazes de aumentar a energia, a concentração, o rendimento, a resistência e o desempenho físico ou mental. O sabor, a publicidade, o patrocínio de eventos desportivos, a associação a videojogos e a disponibilidade destes produtos também podem contribuir para o seu consumo. No entanto, a evidência que sustenta muitos dos benefícios anunciados é limitada.

Alguns jovens recorrem a bebidas energéticas durante períodos de exames, quando dormem pouco, antes da prática desportiva ou durante saídas noturnas. Embora possam reduzir temporariamente a sensação de cansaço, não substituem o sono, o descanso, uma alimentação equilibrada ou uma hidratação adequada.


Porque são os jovens mais vulneráveis aos efeitos da cafeína?

A cafeína é uma substância estimulante do sistema nervoso central. Pode aumentar temporariamente a atenção e o estado de alerta, mas também pode acelerar os batimentos do coração, a respiração, bem como aumentar a pressão arterial. Os seus efeitos variam de pessoa para pessoa e dependem da quantidade ingerida, do peso corporal, da sensibilidade individual e do consumo de outras fontes de cafeína ao longo do dia.

Como as crianças e os adolescentes têm geralmente menor peso corporal e maior sensibilidade aos efeitos da cafeína, uma mesma bebida pode causar-lhes efeitos mais intensos do que num adulto.


Quais são os possíveis efeitos adversos destas bebidas?

O consumo de bebidas energéticas, sobretudo em quantidades elevadas ou de forma repetida, pode provocar:

      • dificuldade em adormecer, ou sono de menor qualidade;
      • nervosismo, irritabilidade ou ansiedade;
      • dores de cabeça;
      • tremores;
      • palpitações ou aceleração dos batimentos cardíacos;
      • aumento da pressão arterial;
      • dores ou desconforto no estômago;
      • náuseas;
      • maior agitação ou hiperatividade;
      • alterações da atenção, da memória ou do comportamento.

Quando consumida regularmente, a cafeína pode causar tolerância, levando a pessoa a necessitar de quantidades progressivamente maiores para obter o mesmo efeito. Pode também desenvolver-se dependência física moderada, nomeadamente quando a interrupção do consumo habitual causa dores de cabeça, cansaço, irritabilidade ou dificuldade de concentração.

O impacto no sono merece especial atenção. Dormir menos ou dormir mal pode afetar a aprendizagem, a concentração, o humor e o desempenho escolar. O jovem pode ainda entrar num ciclo em que utiliza cafeína para compensar o cansaço provocado por uma noite mal dormida, voltando depois a ter dificuldade em adormecer.


E o açúcar?

Muitas bebidas energéticas contêm quantidades elevadas de açúcares. O consumo frequente de bebidas açucaradas pode contribuir para o aumento de peso, obesidade, cárie dentária e maior risco de diabetes tipo 2.

As versões sem açúcar evitam parte destes efeitos, mas não deixam de ser bebidas energéticas. Continuam a conter cafeína e podem manter os restantes riscos associados ao seu efeito estimulante.


Bebidas energéticas e bebidas desportivas são o mesmo?

As bebidas energéticas não devem ser confundidas com bebidas isotónicas ou bebidas destinadas a desportistas. As bebidas isotónicas são formuladas para ajudar a repor líquidos e sais minerais em determinadas situações de exercício prolongado ou intenso. As bebidas energéticas destinam-se sobretudo a produzir um efeito estimulante através da cafeína.

Por este motivo, não devem ser utilizadas como principal forma de hidratação antes, durante ou depois da atividade física. Para a maioria das atividades praticadas pelos jovens, a água é geralmente a bebida mais adequada.


Quais são os perigos de misturar bebidas energéticas com álcool?

A combinação de bebidas energéticas com álcool é particularmente preocupante. A cafeína não reduz a concentração de álcool no sangue nem torna a pessoa menos alcoolizada. Contudo, pode diminuir a perceção de sonolência e de embriaguez, fazendo com que o jovem se sinta mais desperto do que realmente está.

Esta falsa sensação de controlo pode favorecer um maior consumo de álcool e aumentar a probabilidade de comportamentos de risco, acidentes, conflitos ou decisões pouco conscientes. Além disso, a associação dos efeitos estimulantes da cafeína com os efeitos do álcool pode agravar sintomas como palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos, desidratação, náuseas ou mal-estar.

A combinação de bebidas energéticas com álcool deve, por isso, ser evitada.


Além dos jovens, que pessoas devem ter cuidados especiais com o consumo destas bebidas?

Além das crianças e adolescentes, o consumo de bebidas energéticas é desaconselhado durante a gravidez e a amamentação e em pessoas sensíveis à cafeína. Pessoas com hipertensão arterial, alterações do ritmo cardíaco, outras doenças cardiovasculares, problemas neurológicos, ansiedade ou perturbações do sono devem ter particular precaução.

Também deve existir cuidado quando são utilizados medicamentos estimulantes, como, por exemplo, para tratamento da perturbação de hiperatividade com défice de atenção, ou outros medicamentos que possam afetar a frequência cardíaca, a pressão arterial ou o sono. Nestes casos, deve ser pedido aconselhamento a um profissional de saúde, como o seu médico ou farmacêutico.


Como ajudar um jovem a abandonar o consumo de bebidas energéticas?

A proibição isolada pode não ser suficiente. É importante conversar com o jovem sobre as razões que o levam a consumir estas bebidas e explicar os seus efeitos sem alarmismo. Pode ser útil:

      • ler em conjunto o rótulo e verificar a quantidade de cafeína por embalagem;
      • identificar todas as fontes de cafeína consumidas durante o dia;
      • evitar ter bebidas energéticas disponíveis em casa;
      • não as utilizar para compensar noites mal dormidas;
      • privilegiar água, leite ou outras bebidas sem cafeína;
      •  manter horários de sono regulares;
      • fazer refeições e lanches equilibrados;
      • reduzir gradualmente o consumo quando este é diário ou elevado, uma vez que a interrupção súbita pode causar sintomas de privação, como dor de cabeça, cansaço, irritabilidade ou dificuldade de concentração.

Os próprios hábitos dos adultos também podem influenciar os mais jovens. Dar o exemplo e promover alternativas adequadas pode facilitar escolhas mais saudáveis.


Quando procurar ajuda médica?

Após o consumo de uma bebida energética, podem surgir sintomas como tremores, inquietação, ansiedade, náuseas, desconforto abdominal ou palpitações ligeiras. Nestes casos, deve ser interrompido o consumo de bebidas energéticas e de outras fontes de cafeína e a pessoa deve permanecer em repouso e sob vigilância.

Deve ser procurada assistência médica imediata se surgirem sintomas intensos ou persistentes, como palpitações muito fortes, alterações do ritmo cardíaco, dor no peito, desmaio, confusão, agitação intensa, vómitos repetidos ou convulsões.