Como promover o uso seguro e eficaz dos sistemas transdérmicos?
- Breves Questões Terapêuticas
![]() - A utilização de sistemas transdérmicos exige um aconselhamento cuidadoso para assegurar uma absorção consistente, evitar erros de medicação e reações cutâneas. - O uso seguro requer o cumprimento das regras de utilização e a monitorização dos locais de aplicação. - É importante informar sobre fatores externos associados a consequências adversas. ![]() |
Os sistemas transdérmicos (ST) constituem uma forma de administração de medicamentos que permite a libertação controlada do fármaco através da pele para a circulação sistémica.1,2São amplamente utilizados em múltiplos contextos clínicos, incluindo controlo da dor, doenças neurológicas, cardiovasculares e cessação tabágica.1
Entre as principais vantagens
dos ST destacam-se a melhoria da adesão terapêutica, a evicção do metabolismo
de primeira passagem hepático, a obtenção de concentrações plasmáticas mais
estáveis e a conveniência em doentes com disfagia ou limitações de acesso
venoso.1-3 No entanto, a utilização destes sistemas apresenta
igualmente desafios específicos, como variabilidade na absorção cutânea, riscos
de erros de administração, reações cutâneas e exposição acidental ao fármaco.4,5Por conseguinte, a sua utilização eficaz e segura exige uma gestão cuidadosa.4
Aplicação e remoção correta
A absorção do fármaco pode
variar em função do local de aplicação,3,5 devendo ser
evitadas áreas com pregas cutâneas ou zonas enrugadas.5,6 A
aplicação deverá ser idealmente realizada numa área de pele íntegra, limpa,
seca e plana,1,6,7 preferencialmente desprovida de pelos,
localizada em regiões com menor atrito e mobilidade.3,5 Em caso de
pilosidade significativa, recomenda-se aparar os pelos com tesoura, evitando a
depilação com lâmina, dado o risco de microlesões e irritação local.3,5
Devem ser respeitadas as recomendações
específicas do fabricante relativamente aos locais contraindicados.3,5-7
Por exemplo, adesivos contendo estradiol não devem ser aplicados diretamente
sobre a mama.3,6,7 A aplicação sobre a pele
irritada, inflamada ou lesionada deve ser evitada, uma vez que pode
potenciar a absorção do fármaco e agravar a reação cutânea.5,6 É
igualmente recomendável evitar áreas recentemente expostas a óleos,
sabonetes ou hidratantes,1 uma vez que estes produtos
podem comprometer a adesão à pele e interferir com a absorção do fármaco.3,5
Em crianças e em
indivíduos com défice cognitivo, a região superior/média do dorso pode ser
um local preferencial, reduzindo o risco de remoção involuntária, manipulação
ou ingestão acidental.5-7
A rotação sistemática dos
locais de aplicação é essencial para reduzir o risco de irritação cutânea e
minimizar potenciais alterações da absorção.1,2,5-7 O corte de
adesivos é, de forma geral, contraindicado, exceto quando
explicitamente autorizado pelo fabricante,2,5,7 devido à ausência de
dados robustos quanto à precisão da dose, risco de contacto direto com a
substância ativa e possibilidade de sobredosagem.2,3,6
Antes da aplicação de um novo
ST, deve confirmar-se sempre a remoção completa do adesivo anterior,2,7
dado que a permanência inadvertida de um sistema previamente aplicado acarreta
o risco de sobredosagem.1,2,4-6 No momento da substituição, o adesivo
usado deve ser dobrado ao meio, com a face adesiva voltada para o interior.
Deve proceder-se à lavagem das mãos após a manipulação, uma vez que podem
persistir quantidades clinicamente relevantes de fármaco no adesivo após a
remoção.1,3,5-7
Adicionalmente, não se
recomenda escrever diretamente no adesivo com caneta ou lápis, pois tal
pode comprometer a integridade do sistema e alterar a libertação do fármaco;
2,5,6 caso seja necessário registo, este deve ser efetuado na embalagem
ou em plano terapêutico.6
Problemas de adesão do ST
As dificuldades de adesão são
relativamente frequentes, sobretudo em condições de calor, sudorese ou fricção.2,4,7
Quando o adesivo não se encontra em contacto total com a pele, pode ocorrer
diminuição da eficácia terapêutica ou descolamento completo.2,4 Em
situações de descolamento parcial, o adesivo pode ser reaplicado, desde que
mantenha integridade estrutural e adesão suficiente. A remoção deliberada deve
ser evitada, pois pode comprometer a capacidade de fixação.4
Em caso de adesão insuficiente, as estratégias
recomendadas incluem:
- Reforço das bordas com fita adesiva apropriada;1,4,6
- Aplicação de penso transparente não oclusivo
sobre o adesivo;1,4
- Substituição por um novo adesivo, respeitando o
intervalo de administração originalmente previsto.1,4,6
A utilização de pensos
oclusivos para fixação não é recomendada, uma vez que pode alterar a taxa de
absorção do fármaco.4 O adesivo não deve ser completamente coberto
por materiais opacos, devendo manter-se visível para permitir identificação
segura, particularmente em contexto de urgência.4
Segurança e reações adversas
As reações cutâneas locais
constituem um dos efeitos adversos mais frequentes,1,3,4
manifestando-se tipicamente por prurido, eritema e sensação de queimadura na
área de aplicação.1,3 A forma mais comum é a dermatite de contacto
irritativa, embora também possa ocorrer dermatite de contacto alérgica.4
Esta última é frequentemente desencadeada pelos componentes adesivos, podendo,
no entanto, estar associada à própria substância ativa ou a excipientes.1,4
Para minimizar o risco de
reações cutâneas recomenda-se:
- Cumprimento rigoroso das instruções do fabricante;3,4
- Rotação dos locais de aplicação, permitindo recuperação cutânea adequada;3,4,6
- Aplicação de hidratantes ou emolientes após a remoção do adesivo;4
- Em casos selecionados, ponderação de
corticosteroides tópicos para alívio sintomático.3,7
Se as reações cutâneas
persistirem apesar da correta aplicação, remoção e cuidados cutâneos, deve
considerar-se a substituição por outra marca, uma vez que o componente
adesivo pode ser o principal agente causal.4 Quando não existirem
alternativas viáveis, deverá ser efetuada reavaliação clínica e
terapêutica pelo médico assistente.4
Influência do calor e risco de sobredosagem
A exposição ao calor
promove vasodilatação, podendo aumentar significativamente a absorção do
fármaco a partir do adesivo e, consequentemente, o risco de sobredosagem.3,5,7
Este risco é particularmente relevante em doentes piréticos ou durante períodos
de calor intenso.5
Para minimizar o risco com
fontes externas de calor deverá ser recomendado:
- Banho ou duche com água morna (evitando água
muito quente); 5,6
- Evicção a exposição prolongada ao calor,6
através de banhos quentes longos, saunas, jacuzzis ou exposição solar direta.2,5
- Evicção de fontes externas de calor sobre o adesivo, como almofadas térmicas, cobertores elétricos ou sacos de água quente.2,5-7
Ressonância magnética (RM) e risco de queimaduras
Alguns ST possuem uma camada
metálica na face externa. Este material é condutor elétrico, podendo causar
queimaduras se os ST forem utilizados durante uma RM.2-4,6,7
É essencial que seja avaliada previamente a necessidade de remoção do ST antes
do exame, seguindo as informações específicas do medicamento.2,6
Contudo, dado que a sua identificação pode ser difícil, poderá ser prudente a
remoção de todos os ST antes da realização de uma RM, salvo indicação contrária
devidamente documentada.3,4,7
Apesar das vantagens clínicas
dos ST, a sua utilização segura e eficaz requer vigilância contínua e
articulação interprofissional.1 Neste contexto, o farmacêutico
desempenha um papel determinante na validação da terapêutica, na prevenção de
problemas relacionados com a medicação e na identificação de fatores de risco
para reações adversas ou sobredosagem.1 Paralelamente, a sua intervenção
no aconselhamento e educação do utente constitui um elemento essencial para
assegurar uma administração correta, reduzir a ocorrência de eventos adversos e
otimizar a adesão e os resultados clínicos.1
Referências bibliográficas:
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[acedido a 19-02-26]. Disponível em:
https://www.sps.nhs.uk/articles/managing-problems-when-using-transdermal-patches/
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2025. [acedido a 19-02-26]. Disponível em:
https://www.sps.nhs.uk/articles/using-transdermal-patches-safely-in-healthcare-settings/
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des Hôpitaux Universitaires de Genève, créé le : 08.02.05, dernière révision le
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Pharmacist’s Letter/Prescriber’s Letter. August 2021. [370803].

