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Doença Hemorroidária: como prevenir, reconhecer e tratar

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  • PROMOÇÃO DA SAÚDE
17 Agosto 2026
Doença Hemorroidária: como prevenir, reconhecer e tratar

As hemorroidas são estruturas normais do organismo, localizadas na parte inferior do reto e no ânus. São constituídas por vasos sanguíneos, tecido conjuntivo e fibras musculares. As hemorroidas contribuem para o encerramento adequado do canal anal, ajudando a manter a continência e a evitar a saída involuntária de gases ou fezes.

O termo "hemorroidas” é habitualmente utilizado como sinónimo de doença hemorroidária. Esta surge quando estas estruturas aumentam de tamanho, ficam inflamadas ou se deslocam da sua posição habitual, podendo causar dor, comichão ou sangramento.

Embora seja uma condição relativamente comum e, na maioria dos casos, benigna, pode causar desconforto significativo e afetar negativamente o bem-estar e a qualidade de vida.

Que tipos de hemorroidas existem?

As hemorroidas podem ser classificadas como internas ou externas, de acordo com a sua localização:

  • As hemorroidas internas encontram-se no interior do canal anal e na porção mais baixa do reto e são geralmente indolores. Podem, no entanto, causar sangramento ou sair pelo ânus durante a evacuação. Em alguns casos, regressam espontaneamente ao interior; noutros, pode ser necessário empurrá-las suavemente ou recorrer a tratamento médico.
  • As hemorroidas externas localizam-se junto à abertura do ânus e podem causar dor, irritação e inchaço. Quando se forma um coágulo no seu interior — uma pequena acumulação de sangue que fica mais espesso e endurecido — ocorre a chamada trombose hemorroidária. Nessa situação, pode surgir de repente um nódulo duro, arroxeado e muito doloroso.


Quais são os principais sintomas da doença hemorroidária?

Nem todas as pessoas apresentam sintomas. Quando existem, os mais frequentes são:

  • sangue vermelho vivo durante ou após a evacuação, que poderá ser visto no papel higiénico, nas fazes ou na sanita;
  • dor ou desconforto na região anal;
  • comichão, ardor ou irritação na região anal;
  • inchaço ou presença de um nódulo junto ao ânus;
  • saída de uma saliência durante a evacuação;
  • libertação de muco;
  • sensação de pressão, humidade ou evacuação incompleta.

O que pode causar ou agravar a doença hemorroidária?

A causa da doença hemorroidária não está totalmente esclarecida e será provavelmente influenciada por vários fatores.

As situações que aumentam a pressão sobre os vasos sanguíneos da região anal podem favorecer o seu aparecimento, nomeadamente:

  • obstipação e esforço durante a evacuação;
  • permanecer sentado na sanita durante demasiado tempo;
  • diarreia persistente ou evacuações muito frequentes;
  • alimentação pobre em fibra;
  • gravidez;
  • excesso de peso;
  • sedentarismo;
  • levantamento frequente de objetos pesados;
  • envelhecimento;
  • utilização de medicamentos que provocam obstipação.

A relação entre a doença hemorroidária e o consumo de álcool, tabaco ou alimentos picantes não está, até ao momento, claramente comprovada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença hemorroidária deve ser realizado por um médico e baseia-se nos sintomas apresentados e no exame da região anal.

Consoante a situação, podem ser necessários um toque retal, uma anuscopia ou outros exames. Estes permitem confirmar a existência de hemorroidas e excluir doenças que podem provocar sintomas semelhantes.

A realização de exames adicionais pode ser particularmente importante quando existem alterações do funcionamento intestinal, anemia, perda de peso, dor abdominal, antecedentes de pólipos ou história familiar de cancro colorretal ou de doença inflamatória intestinal.

Como é tratada a doença hemorroidária?

O tratamento depende do tipo de hemorroidas, da intensidade e duração dos sintomas e do impacto na vida da pessoa.


HÁBITOS DE VIDA E CUIDADOS GERAIS

Nos casos mais ligeiros, o tratamento começa habitualmente pela adoção de medidas que facilitem a evacuação, reduzam a prisão de ventre e diminuam a pressão sobre a região anal, nomeadamente:

Alimentação rica em fibras. Consumo regular de fruta, legumes, leguminosas e cereais integrais. O aumento da ingestão de fibras deve ser gradual, de modo a evitar gases e desconforto abdominal.

Ingestão de água ao longo do dia. Uma hidratação adequada ajuda a tornar as fezes mais moles e fáceis de eliminar.

Adotar hábitos intestinais saudáveis. A vontade de evacuar não deve ser ignorada. Deve-se evitar fazer força e permanecer sentado na sanita durante demasiado tempo.

Praticar atividade física. A prática regular de exercício, como caminhar, correr ou nadar, pode ajudar a melhorar o funcionamento intestinal e a reduzir a prisão de ventre.

Cuidados de higiene da região anal. Após a evacuação, a zona deve ser limpa suavemente com água. Deve-se evitar esfregar, utilizar produtos irritantes ou realizar uma higiene excessiva. No final, a região deve ser seca cuidadosamente.

Banhos de assento. Os banhos de assento com água morna, durante cerca de 10 a 20 minutos, podem proporcionar um alívio temporário da dor, do inchaço e da irritação.

Vestuário confortável.Pode ser útil utilizar roupa interior confortável, de preferência de algodão, e evitar vestuário apertado ou que provoque fricção na zona afetada.

 

Tratamento Farmacológico

Quando as alterações dos hábitos alimentares, a hidratação e os restantes cuidados gerais não são suficientes, pode ser necessário recorrer a medicamentos. Estes tratamentos destinam-se sobretudo a aliviar sintomas como a dor, a comichão, o inchaço e o sangramento, mas não corrigem as alterações que estão na origem da doença hemorroidária.

Para o alívio da dor ligeira a moderada, pode ser utilizado um analgésico oral. O paracetamol é geralmente considerado uma opção de primeira escolha. Em algumas situações, nomeadamente quando existe trombose hemorroidária acompanhada de inchaço, o médico ou o farmacêutico poderão aconselhar um medicamento anti-inflamatório.

As pomadas, cremes e supositórios podem conter substâncias com diferentes ações. Os anestésicos locais ajudam a reduzir temporariamente a dor e o desconforto, enquanto os corticosteroides podem aliviar a comichão, a inflamação e o inchaço. No entanto, estes produtos devem ser utilizados apenas durante períodos curtos, uma vez que o uso prolongado pode provocar irritação, reações alérgicas, dermatite de contacto ou tornar a pele da região anal mais fina e frágil.

Ao aplicar uma pomada ou um creme na região anal, devem lavar-se as mãos antes e depois da utilização. A zona deve ser limpa e seca suavemente, aplicando-se em seguida apenas uma camada fina do produto. Quando for necessária uma aplicação interna, deve utilizar-se o aplicador fornecido, devidamente lubrificado e limpo após cada utilização. A dose e a duração do tratamento recomendadas não devem ser ultrapassadas.

Os produtos lubrificantes ou os géis à base de água podem também ajudar a diminuir a comichão, o desconforto e a dor local.

Existem ainda medicamentos de toma oral, designados venotrópicos, que atuam sobre os vasos sanguíneos. Alguns destes medicamentos podem contribuir para reduzir o sangramento, a comichão e outros sintomas, embora não tenha sido demonstrado um benefício significativo no alívio da dor. A dose e a duração do tratamento devem ser definidas por um profissional de saúde.

Nos casos de prisão de ventre persistente, podem ser recomendados suplementos de fibra, medicamentos que amolecem as fezes ou determinados laxantes, com o objetivo de facilitar a evacuação e reduzir o esforço.

Antes de utilizar qualquer medicamento, deve procurar o aconselhamento de um médico ou
farmacêutico.

Que situações podem requerer tratamento instrumental ou cirúrgico?

Quando as medidas anteriormente descritas não são suficientes, o seu médico pode recomendar um tratamento instrumental ou, nos casos mais complexos, uma cirurgia.

O tratamento instrumental pode ser recomendado quando as hemorroidas internas continuam a causar sintomas, quando estão mais avançadas ou em algumas situações de trombose hemorroidária. Estes procedimentos incluem técnicas como a laqueação elástica, a escleroterapia e a fotocoagulação por infravermelhos.

O tratamento cirúrgico é geralmente reservado para situações mais graves, como, por exemplo, quando existem hemorroidas internas e externas que saem do ânus de forma acentuada – o que se designa por prolapso - ou quando os restantes tratamentos não foram eficazes. A técnica mais adequada é escolhida pelo médico, de acordo com o tipo e a gravidade da doença.

A doença hemorroidária é comum e tem tratamento. Falar abertamente sobre os sintomas e procurar aconselhamento atempadamente permite obter um diagnóstico correto, aliviar o desconforto e evitar complicações.

Sinais de alerta a que deve estar atento

Embora o sangramento anal possa estar relacionado com a doença hemorroidária, existem outras condições que podem causar o mesmo sintoma. Por esse motivo, não deve assumir que qualquer perda de sangue é provocada por hemorroidas.

Procure aconselhamento médico se apresentar:

  • sangramento abundante, persistente ou com características diferentes do habitual;
  • sangue escuro ou misturado nas fezes;
  • dor intensa ou contínua;
  • febre;
  • dor abdominal;
  • perda de peso sem explicação;
  • cansaço ou anemia;
  • alterações persistentes do funcionamento intestinal;
  • antecedentes pessoais de pólipos intestinais;
  • antecedentes familiares de cancro colorretal ou doença inflamatória intestinal;
  • sintomas que não melhoram após alguns dias de cuidados adequados;
  • hemorroidas que permanecem no exterior e não regressam ao interior.