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Que antidepressores apresentam melhor perfil de segurança cardiovascular em pessoas com doença coronária?
- Breves Questões Terapêuticas
![]() - A depressão é frequentemente observada em pessoas com doença coronária (DC). - A sertralina é considerada a opção mais segura pela sua boa tolerabilidade cardiovascular. - Os antidepressores tricíclicos devem ser evitados devido aos seus efeitos adversos cardiovasculares, como arritmias, hipotensão ortostática e prolongamento do intervalo QT. ![]() |
A evidência proveniente de
diversos estudos clínicos e populacionais tem demonstrado uma associação
bidirecional entre a depressão e a DC.1-3 A depressão é
frequentemente observada em pessoas com DC, constituindo um fator
prognóstico independente associado a uma evolução clínica desfavorável.2-5
Adicionalmente, existe um consenso crescente quanto a considerar a depressão
como um fator de risco modificável na DC, o que reforça a necessidade de um
diagnóstico precoce e de uma abordagem terapêutica apropriada.2,3,5
Os antidepressores representam
uma opção terapêutica eficaz no tratamento da depressão em pessoas com DC,
particularmente em casos de depressão moderada a grave.2 Muitos
destes fármacos, porém, apresentam efeitos adversos cardiovasculares, o
que influencia a sua seleção.1 Entre os potenciais efeitos
indesejáveis incluem-se alterações da condução cardíaca, arritmias,
taquicardia, hipotensão ortostática e hipertensão arterial.1-5
É seguidamente enunciado, de
forma não exaustiva, o perfil de segurança cardiovascular de diversas classes
de antidepressores.
Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS)
Devido ao seu mecanismo de
ação específico, apresentam poucos efeitos adversos cardiovasculares, sendo,
por isso, considerados a terapêutica de primeira linha em doentes com
DC.2-5 A sertralina é apontada como a opção mais segura, dada
a sua boa tolerabilidade cardiovascular e ausência de interações relevantes
com fármacos cardiovasculares.1-5 Outras alternativas seguras
incluem a fluoxetina1-5 e a paroxetina.1,2,4,5
Por outro lado, o escitalopram e o citalopram estão associados a
prolongamento do intervalo QT de forma dependente da dose,1-3 pelo
que deverão ser utilizados com precaução em doentes com risco elevado de
prolongamento do intervalo QT ou de Torsades de Pointes, nomeadamente em
casos de insuficiência cardíaca congestiva, enfarte agudo do miocárdio recente,
bradiarritmias, hipocaliemia, hipomagnesemia ou síndrome do QT longo congénito.2
É importante ainda referir que
a utilização concomitante dos ISRS com ácido acetilsalicílico e outros
antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes pode aumentar o risco de
hemorragia,1-5 particularmente em doentes idosos.1-3
Antidepressores tricíclicos (ADT)
Apesar da sua reconhecida
eficácia, estão associados a alterações eletrocardiográficas importantes,
como prolongamento dos intervalos PR e QT,1,2,4 devido ao seu efeito
inibitório sobre os canais de potássio nos miócitos,4 o que pode
conduzir a arritmias ventriculares malignas e morte súbita cardíaca.2 Outros efeitos adversos conhecidos incluem
arritmias, taquicardia1,2,4,5 e hipotensão postural.1,2,4,5
A sua cardiotoxicidade é particularmente relevante em situações de
sobredosagem.1 Algumas interações podem ainda aumentar este risco,
como alterações eletrolíticas causadas pelo uso concomitante de diuréticos.1
Por estas razões, os ADT devem
ser evitados em doentes com DC,1,4,5 especialmente na presença
de distúrbios de condução cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, enfarte
recente ou em idade avançada.2 A mianserina aparenta
apresentar um menor risco; todavia, deve ainda assim ser utilizada com
precaução.1
A suspensão abrupta destes
fármacos em doentes que apresentem eventos cardíacos ou prolongamento do
intervalo QT pode aumentar o risco de arritmias, pelo que a sua descontinuação
deverá ser feita de forma gradual.2
Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina
A venlafaxina e a
duloxetina, têm sido associadas a eventos adversos como hipotensão
ortostática,1,2 arritmias1 e aumento da pressão arterial
dependente da dose,1,2,5 o que constitui uma preocupação especial em
indivíduos com DC, sobretudo naqueles com hipertensão pré-existente.1,2
A reboxetina, por sua vez, pode causar taquicardia, palpitações e
hipotensão ortostática dependente da dose, sendo recomendada a monitorização da
pressão arterial durante o seu uso.1
Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO)
Devem geralmente ser evitados
em pessoas com DC.1,5 Estes fármacos podem provocar hipotensão,
apresentam interações medicamentosas e alimentares graves, e estão
também associados ao desenvolvimento de arritmias, recomendando-se precaução e
eventual monitorização eletrocardiográfica em doentes de risco.1,5
A moclobemida, pela sua
seletividade e menor potencial de interação, é considerada uma opção de
menor risco dentro desta classe.1
Outros antidepressores
Mirtazapina. Tem-se
revelado uma opção segura para pessoas com DC,1,4 embora possa
provocar hipotensão ortostática2,3 e prolongamento ligeiro do
intervalo QT.2 A mirtazapina está associada a aumento ponderal,2,4,5
pelo que a sua utilização deve ser cuidadosamente avaliada em indivíduos com
excesso de peso ou obesidade.5
Trazodona. Pode causar
hipotensão ortostática e prolongamento ligeiro a moderado do intervalo QT,2,3
pelo que deverá ser utilizada com precaução em pessoas com DC, bloqueios
atrioventriculares ou outras perturbações de condução, bem como em doentes
pós-enfarte do miocárdio.2
Bupropiom. Pode
constituir uma alternativa para doentes que apresentem disfunção sexual
induzida pelos ISRS ou que procurem apoio na cessação tabágica; no entanto,2,5
o seu uso deve ser feito com precaução em indivíduos com angina ou hipertensão
não controladas.5
Os profissionais de saúde
devem estar conscientes da elevada prevalência de depressão em pessoas com DC,
sendo recomendada a realização de rastreios para despiste da depressão nestes
doentes2,3 com o intuito de garantir o início atempado e adequado do
tratamento farmacológico, por forma a otimizar os resultados clínicos e reduzir
as taxas de morbilidade e mortalidade.3 A terapêutica farmacológica
deve ser cuidadosamente selecionada, tendo em conta o perfil de risco
cardiovascular.1,5
Adicionalmente, deverão ainda
considerar-se intervenções não farmacológicas, como a prática de exercício
físico e a psicoterapia, enquanto opções complementares no tratamento destes
doentes.2,4,5
Referências bibliográficas:
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for people with coronary heart disease. Specialist Pharmacy Service. Last
updated 29 April 2025. [acedido a 30-06-25].
Disponível em: https://www.sps.nhs.uk/articles/choosing-an-antidepressant-for-people-with-coronary-heart-disease/
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