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Varíola dos macacos

Varíola dos macacos

A varíola dos macacos é uma doença zoonótica causada por um vírus do género Orthopoxvirus, o mesmo género do vírus da varíola humana. Após a sua erradicação, a infeção por Orthopoxvirus tornou-se mais prevalente em humanos, particularmente em países da zona central e ocidental de África.
Os farmacêuticos devem encaminhar os utentes com sintomas compatíveis com um caso de varíola dos macacos para avaliação médica, recomendar o contacto com as autoridades de saúde e que sejam evitados contactos com outras pessoas, de modo a quebrar uma eventual cadeia de contágio.
A maioria dos surtos de varíola dos macacos reportados tem ocorrido em zonas endémicas. Os casos reportados em países não endémicos estão geralmente relacionados com infeção de viajantes provenientes de países endémicos.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) considera que o risco do presente surto originar uma disseminação global da varíola dos macacos na população europeia é muito baixo. Contudo, devido ao potencial impacto da doença, considera-se que o risco individual pode ser elevado em contactos próximos de casos confirmados pertencentes aos seguintes grupos: crianças muito novas, grávidas, idosos ou indivíduos imunocomprometidos.

TRANSMISSÃO

O vírus é transmitido aos humanos através de uma mordedura ou por contacto direto com o sangue, carne, fluidos corporais ou lesões mucosas ou cutâneas de um animal infetado.

varíola dos macacos não se transmite facilmente entre humanos.

 Vias de transmissão
» Via respiratória, mediante contacto face a face direto e prolongado;

» Contacto direto com fluidos corporais de uma pessoa infetada;

» Contacto entre mucosas ou pele não intacta com lesões abertas;

» Contacto entre mucosas ou pele não intacta com objetos contaminados, como roupa, ou roupa de cama;

» Transmissão sexual (infrequente e relacionada essencialmente com o contacto direto com lesões);

» Através da placenta.

O período infecioso inicia-se com o aparecimento da erupção cutânea; considera-se, contudo, que a transmissão também é possível durante o pródromo.

Apesar de existir pouca informação acerca da possibilidade de espécies europeias de mamíferos poderem ser hospedeiros deste vírus, é teoricamente possível a transmissão de humanos para animais de estimação, com algumas espécies de roedores a constituírem, provavelmente, hospedeiros adequados. Os indivíduos afetados devem evitar o contacto com animais de estimação mamíferos, especialmente roedores. As autoridades de saúde podem considerar necessário o isolamento e quarentena de animais de estimação que tenham sido expostos, ou que estejam em risco de exposição.

SINTOMATOLOGIA

As manifestações dos casos relacionados com viagens em países não endémicos são geralmente ligeiras e autolimitadas. Após um período de incubação de 6-13 dias, mas que pode chegar aos 21 dias, os sintomas iniciais (pródromo) da varíola dos macacos consistem em febre, mialgia, fadiga e cefaleias.

No intervalo de três dias após o seu aparecimento surge no local da infeção primária uma erupção maculopapular centrífuga, que rapidamente se dissemina para outras zonas corporais, sendo caraterístico o envolvimento da face, das palmas das mãos e das plantas dos pés. As lesões tornam-se vesiculares e progridem todas simultaneamente no mesmo estádio, podendo ser muito pruriginosas e afetarem a mucosa oral ou oftálmica. Antes e durante a ocorrência da erupção cutânea é também frequentemente observada linfadenopatia (geralmente ausente em casos de varíola ou varicela).

Entre as possíveis complicações da varíola dos macacos incluem-se infeções bacterianas secundárias, broncopneumonia, sépsis, encefalite e infeção da córnea com consequente perda de visão.

DIAGNÓSTICO

Qualquer caso suspeito – presença de erupção inexplicada em qualquer zona corporal, conjuntamente com a presença de um ou mais sintomas como febre (geralmente >38.5°C), cefaleias, dores nas costas, mialgia, fadiga ou linfadenopatia – deve contactar as autoridades de saúde. 

O diagnóstico é estabelecido mediante teste PCR (polymerase chain reaction) de material proveniente das lesões cutâneas, podendo ser confirmado por determinação da sequência de nucleótidos do vírus.

Após a avaliação médica, os indivíduos afetados deverão seguir as recomendações das autoridades de saúde, nomeadamente evitando contactos físicos diretos até à cura das lesões e a partilha de objetos e utensílios domésticos.

Os contactos próximos de casos confirmados deverão fazer a monitorização da temperatura e de outros sintomas durante 21 dias após a sua última exposição e evitar contactos físicos próximos durante este período.

TRATAMENTO

O tratamento consiste no alívio sintomático, p. ex. da febre ou do prurido, e na prevenção ou tratamento de complicações, como a desidratação ou infeções bacterianas secundárias.

Casos graves podem ser tratados com antivíricos, entre os quais se incluem o tecovirimat, o brincidofovir e o cidofovir. Da terapêutica indicada, apenas o tecovirimat tem aprovação na União Europeia para tratamento de infeções por Orthopoxvirus, nomeadamente varíola, varíola dos macacos e varíola bovina. Contudo, não está disponível em Portugal.

PREVENÇÃO

A vacinação prévia contra a varíola humana pode conferir proteção cruzada contra a varíola dos macacos, uma vez que ambos os vírus são espécies pertencentes ao mesmo género. Devido à erradicação desta doença e descontinuação dos programas de vacinação, esta proteção só se verifica na população europeia com idade superior a 50 anos. 

Não existe atualmente qualquer vacina contra a varíola dos macacos aprovada na União Europeia, mas está autorizada uma vacina não replicante contra a varíola humana. A administração de uma vacina contra a varíola humana no intervalo de quatro dias após exposição a um caso de varíola dos macacos (profilaxia pós-exposição) pode prevenir a doença, ou permitir uma evolução mais favorável, apesar de este ser um uso não aprovado. Não está preconizada atualmente a profilaxia pré-exposição.

Medidas de autoproteção
» Evitar o contacto pele a pele, com mucosas, ou face a face com qualquer pessoa que tenha sintomas;

» Evitar o contacto com fluidos corporais de pessoas infetadas, com objetos potencialmente contaminados, como utensílios, louça, roupa, toalhas, roupa de cama, ou com superfícies que possam ter estados expostas a fluidos ou secreções respiratórias;

» Praticar sexo seguro;

» Manter uma boa higiene das mãos (com lavagem com água e sabão ou com utilização de soluções hidroalcoólicas);

» Manter a etiqueta respiratória.


MAIS INFORMAÇÃO

Monkeypox. European Centre for Disease Prevention and Control.
Multi-country monkeypox outbreak in non-endemic countries. World Health Organization.

Monkeypox. Centers for Disease Control and Prevention (CDC).
www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox 

Infeção humana por vírus Monkeypox – Perguntas frequentes e Infografia

- Abordagem de casos de infeção humana por vírus Monkeypox (VMPX). Orientação nº 004/2022 de 31/05/2022