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Ébola – O que devo saber?
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A Organização Mundial de Saúde
(OMS) declarou recentemente como emergência de saúde pública de âmbito
internacional um surto de Ébola a decorrer na República Democrática do Congo
(RDC) e no Uganda.
Porque é que a OMS considera este surto preocupante?
Este surto de Ébola iniciou-se na RCD, na província de Ituri, e tem vindo a espalhar-se de forma muito rápida. No Uganda foram identificados dois casos, em pessoas que regressaram de viagens à RDC. O vírus que foi identificado como causador deste surto – vírus Bundibugyo, não tem vacina ou tratamento específicos.
Existem ainda muitas
incertezas quanto ao número real de pessoas infetadas, que pode ser muito
superior ao conhecido, e às zonas geográficas afetadas. A OMS considera que existe
um risco significativo de que este surto se possa expandir na região,
especialmente devido à crise humanitária, problemas de insegurança e à
frequente deslocação dos habitantes locais entre diferentes zonas.
O que é a Ébola?
A Ébola é uma doença viral grave, que pode ser causada por quatro vírus diferentes: o vírus Zaire, o vírus Sudão, o vírus Bundibugyo e o vírus Taï Forest. Os três primeiros têm sido responsáveis por surtos de grande dimensão.
É uma doença zoonótica,
ou seja, é transmitida a humanos a partir de um animal hospedeiro. Os
vírus que causam a Ébola existem naturalmente em algumas espécies de morcegos,
como o morcego da fruta.
Como é que a Ébola se transmite?
A transmissão de animais para pessoas pode ocorrer através de:
- Contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de animais portadores da doença;
- Consumo ou manuseamento da carne de animais infetados.
A transmissão entre pessoas pode ocorrer através de:
- Contacto direto através das membranas mucosas, como a boca, os olhos ou o nariz, ou da pele lesada, com sangue ou outros fluidos corporais, como vómito, urina, fezes, saliva ou sémen de uma pessoa infetada, ou que tenha falecido devido à doença;
- Contacto com objetos, roupas ou superfícies
contaminadas por fluidos de indivíduos infetados (vivos ou mortos);
- Transmissão da mãe para o bebé durante a
gravidez;
- Relação sexual não protegida com homens já recuperados da doença, uma vez que o vírus pode ser transmitido através do sémen até 12-15 meses após a cura clínica.
A doença é transmissível a partir do início dos sintomas e enquanto o vírus permanecer no sangue da pessoa infetada. Em alguns sobreviventes, o vírus pode permanecer alojado em certos tecidos do organismo, o que pode causar novos contágios.
O período de incubação,
ou seja, o intervalo de tempo entre a exposição ao vírus e o desenvolvimento de
sintomas, varia entre 2-21 dias. Quanto mais intensa tiver sido a
exposição, mais curto é este período.
Quais são os sintomas da Ébola?
Os sintomas iniciais podem aparecer de forma súbita. Os principais incluem:
- Febre
- Cansaço
- Mal-estar
- Dores musculares
- Dores de cabeça
- Dores de garganta
Mais tarde surgem:
- Vómitos
- Diarreia
- Dor de barriga
- Alterações na pele
- Tosse e dificuldades respiratórias
- Alterações no funcionamento dos rins e do fígado
- Confusão, irritabilidade e agressividade
- Sangramentos internos ou no exterior do corpo
Esta doença é muito grave, sendo letal em cerca de 50% dos casos confirmados. Em alguns surtos, este valor pode alcançar os 90%.
Uma vez que os sintomas
iniciais são semelhantes aos de outras infeções, é necessário confirmar o
diagnóstico através de análises ao sangue.
Como se trata e previne a Ébola?
As pessoas infetadas por Ébola são tratadas em meio hospitalar e em isolamento rigoroso. O tratamento tem como objetivo controlar os sintomas e as complicações que vão surgindo, de modo a aumentar as hipóteses de sobrevivência. As infeções por vírus Zaire podem ainda ser tratadas com medicamentos específicos, chamados anticorpos monoclonais. Estes medicamentos ligam-se ao vírus e ajudam a impedir que ele infete as células. Esta forma de tratamento ainda está em fase de investigação para os outros tipos de vírus.
Existem vacinas aprovadas contra o vírus Zaire, que estão indicadas em situações muito específicas. Encontram-se atualmente em investigação vacinas direcionadas contra os outros vírus.
Quais as medidas a adotar para prevenir a Ébola?
No caso de habitar ou viajar para um país afetado pela doença, é muito importante conhecer quais os comportamentos preventivos que minimizam o risco de a contrair.
Entre as medidas a cumprir
incluem-se:
- Evitar o contacto com animais potencialmente
transmissores da doença, como os morcegos da fruta, símios, macacos, antílopes
e porcos-espinhos, ou com a carne destes animais;
- Evitar contactar com pessoas infetadas;
- Manter uma rigorosa higiene das mãos;
- Evitar relações sexuais não protegidas.
Uma pessoa que tenha
regressado de uma área afetada por um surto há menos de 21 dias e que apresente
sintomas suspeitos não deve deslocar-se e contactar outras pessoas,
devendo ligar imediatamente para o SNS 24 – 808242424.