Excipientes dos medicamentos: o que são e que cuidados deve ter
- Cidadão
- NOÇÕES GERAIS SOBRE MEDICAMENTOS
Um medicamento é composto pela substância ativa, responsável pelo efeito terapêutico, e por outros componentes chamados excipientes, que permitem produzir um medicamento com forma e estabilidade adequadas.
Os excipientes estão presentes em todos os medicamentos de diferentes formas farmacêuticas, como comprimidos, cápsulas, xaropes, supositórios, injetáveis, cremes, pomadas ou inaladores.
Na maioria dos casos, os excipientes
são bem tolerados. No entanto, em algumas pessoas, podem causar efeitos
indesejáveis, sobretudo quando existem alergias, intolerâncias, doenças
metabólicas ou outras situações clínicas que exigem cuidados específicos.
O que são excipientes e qual é a sua finalidade?
Os excipientes são substâncias incluídas nos medicamentos com a finalidade de permitir ou melhorar a sua preparação, conservação, estabilidade, administração e aceitação pelo doente. Todos os medicamentos apresentam excipientes na sua composição.
Embora não sejam responsáveis pelo efeito terapêutico, desempenham funções essenciais para garantir a qualidade, a segurança e a facilidade de utilização do medicamento. De acordo com a função que exercem no medicamento, podem ser classificados, entre outros, como solubilizantes, desagregantes, antioxidantes, corantes, lubrificantes ou aromatizantes. Alguns excipientes podem desempenhar mais do que uma função ao mesmo tempo.
Na prática, podem, por exemplo, ajudar a dar forma e consistência a comprimidos e cápsulas, melhorar o sabor ou a textura de soluções orais e xaropes, aumentar a estabilidade dos medicamentos, ou facilitar a sua dissolução, administração ou absorção.
Desta forma, os excipientes contribuem para que o
medicamento tenha as características necessárias para ser utilizado
corretamente e com segurança.
Os excipientes podem ter efeito terapêutico?
Por norma, não. Os excipientes não têm como finalidade prevenir ou tratar doenças nem aliviar sintomas, uma vez que essa função pertence à substância ativa.
Todavia, alguns excipientes
podem produzir efeitos no organismo, em determinadas circunstâncias. Por
esse motivo, não devem ser considerados componentes totalmente inertes. Embora
sejam bem tolerados pela maioria das pessoas, podem assumir particular
relevância para alguns cidadãos no momento da escolha segura de um medicamento.
Que efeitos podem estar associados aos excipientes?
Os efeitos relacionados com os excipientes são geralmente pouco frequentes, mas podem ocorrer, sobretudo em pessoas suscetíveis.
Quando surgem, a sua importância pode variar consoante o excipiente, a quantidade presente, a via de administração, a duração do tratamento e a sensibilidade individual de cada pessoa.
Alguns efeitos possíveis incluem desconforto gastrointestinal, náuseas, diarreia, dor abdominal, irritação da pele, comichão, erupção cutânea, dor de cabeça, tonturas ou agravamento de sintomas respiratórios.
A presença de um excipiente não
significa, por si só, que este irá causar efeitos indesejáveis. O risco deve
ser avaliado caso a caso, tendo em conta o medicamento e a pessoa que o
utiliza.
Porque é importante conhecer os excipientes?
Conhecer os excipientes é particularmente importante para pessoas com alergias, intolerâncias alimentares, doenças crónicas, doenças metabólicas ou necessidades específicas.
Seguem-se alguns exemplos.
Uma pessoa com fenilcetonúria deve ter atenção à presença de aspartame nos medicamentos. O aspartame é um edulcorante que, no organismo, pode dar origem a fenilalanina, uma substância que estas pessoas não conseguem metabolizar adequadamente. Por esse motivo, a sua presença num medicamento pode exigir cuidados especiais.
Uma pessoa com intolerância à lactose pode precisar de confirmar se determinado medicamento contém lactose. Da mesma forma, pessoas com alergia a certos corantes, conservantes, óleos ou outras substâncias devem verificar a composição do medicamento antes da sua utilização.
Os indivíduos com doença celíaca devem também verificar se o medicamento contém excipientes que possam conter glúten. O glúten pode estar presente em alguns excipientes derivados de cereais, como o amido de trigo, cevada, centeio ou aveia.
A glucose e a sacarose são excipientes que podem exigir atenção em algumas situações. Pessoas com diabetes ou com doenças hereditárias raras do metabolismo dos hidratos de carbono, devem confirmar com o médico ou farmacêutico se a sua presença no medicamento requer algum cuidado especial.
A presença de sódio também pode exigir atenção especial em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca ou doença renal.
A presença de determinados excipientes pode ainda ser particularmente relevante em recém-nascidos, crianças, grávidas, pessoas idosas ou pessoas com asma ou outras condições clínicas em que sejam necessárias precauções adicionais.
Além das questões clínicas,
algumas pessoas podem querer evitar determinados excipientes por motivos
alimentares, éticos, culturais ou religiosos. É o caso de excipientes de
origem animal, como a gelatina, que pode ser obtida a partir do colagénio
de animais, ou a lactose, derivada do leite. Quando a origem de um excipiente
não está indicada no folheto informativo ou na embalagem, solicite
esclarecimentos junto do seu farmacêutico, ou do laboratório que produz o
medicamento.
Porque é que as crianças precisam de cuidados especiais?
As crianças requerem especial precaução por serem mais sensíveis a alguns excipientes do que os adultos.
Esta maior sensibilidade acontece porque o organismo, especialmente dos recém-nascidos e lactentes, ainda está em desenvolvimento. Por esse motivo, o corpo pode ter mais dificuldade em transformar e eliminar algumas substâncias.
Por isso, os medicamentos para
crianças devem ser utilizados sempre de acordo com a orientação do médico ou
farmacêutico.
Onde posso consultar os excipientes presentes num medicamento?
Os excipientes presentes no medicamento podem ser consultados no folheto informativo, na secção relativa à composição. O folheto inclui a lista dos excipientes e pode conter advertências específicas quando algum dos excipientes exige precaução em determinados grupos de pessoas.
Alguns excipientes são considerados de declaração obrigatória, porque podem ter uma ação ou efeito conhecido, ou causar problemas em determinadas situações clínicas. Nestes casos, a sua presença deve estar indicada no folheto informativo e na embalagem exterior. Alguns exemplos incluem os parabenos, o propilenoglicol, o amido e os seus derivados, a lactose, a sacarose, o etanol e o aspartame.
Esta informação ajuda os cidadãos
e os profissionais de saúde a identificar possíveis riscos e a escolher o
medicamento mais adequado. Em caso de dúvida, peça aconselhamento ao seu
médico ou farmacêutico. Se tiver uma alergia ou intolerância conhecida,
deve informar sempre os profissionais de saúde antes de iniciar um novo
medicamento.
Todos os medicamentos com a mesma substância ativa têm os mesmos excipientes?
Não. Medicamentos com a mesma substância ativa podem ter excipientes diferentes, sobretudo quando pertencem a fabricantes diferentes ou quando existem em diferentes formas farmacêuticas. Por isso, uma pessoa pode tolerar bem um medicamento e ter sintomas com outro que contém a mesma substância ativa.
Esta informação é
particularmente importante quando há substituição entre medicamentos, por
exemplo entre medicamentos de marca e genéricos, ou entre medicamentos genéricos de
fabricantes diferentes.
O que devo fazer se suspeitar que um excipiente me causou uma reação adversa?
Se suspeitar que teve uma reação adversa a um medicamento, deve contactar um profissional de saúde. É importante indicar o nome do medicamento, a dose, quando começou a tomá-lo, que sintomas surgiram e se já tinha tido uma reação semelhante anteriormente.
Não deve interromper um tratamento prescrito sem aconselhamento profissional, exceto se tiver sinais de reação grave, como dificuldade em respirar ou inchaço da face. Nesses casos, deve procurar ajuda médica urgente.
Se for confirmada uma alergia ou
intolerância a determinado excipiente, essa informação deve ficar registada e
ser comunicada sempre que lhe for prescrito, dispensado ou administrado um
medicamento.
Cuidados a ter em relação aos excipientes dos medicamentos
- Leia sempre o folheto informativo antes de utilizar um medicamento;
- Informe o seu médico ou farmacêutico se tem alergias, intolerâncias, restrições alimentares, motivos éticos, culturais ou religiosos que condicionem a escolha de medicamentos, ou alguma condição de saúde que exija cuidados especiais. Deve também informar se está grávida, se está a amamentar ou se o medicamento se destina a uma criança;
- Não assuma que dois medicamentos com a mesma substância ativa têm exatamente a mesma composição, pois os excipientes podem variar. Se já teve uma reação a um medicamento, leve a embalagem ou o folheto informativo à farmácia ou à consulta, para que a composição possa ser verificada;
- Em caso de dúvida, peça ajuda. O seu farmacêutico pode ajudá-lo a interpretar a composição do medicamento e a verificar se existe uma alternativa mais adequada.
Conhecer os excipientes, ler o
folheto informativo e falar com os profissionais de saúde são medidas simples
que ajudam a utilizar os medicamentos com maior segurança.