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Formação dos profissionais de saúde do futuro em debate nas Jornadas da Saúde da Universidade de Évora
03 Junho 2026
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) marcou presença na 2.ª edição das Jornadas da Saúde, promovidas pela Universidade de Évora. O bastonário da OF, Helder Mota Filipe, integrou o painel dedicado ao tema "Ensino e Políticas de Saúde", que contou também com a participação de representantes de outras Ordens Profissionais e entidades institucionais. O debate centrou-se nos desafios do ensino interdisciplinar e na implementação de políticas públicas de saúde.
Na sua intervenção, o bastonário destacou a importância de preparar os profissionais de saúde para responder aos desafios de 2040, num contexto marcado pelo envelhecimento da população, pela evolução tecnológica e pela crescente complexidade dos cuidados de saúde. Defendeu ainda a necessidade da formação farmacêutica reforçar competências nas áreas da inovação, dos dados em saúde, da inteligência artificial e da colaboração interprofissional.
Helder Mota Filipe destacou igualmente a importância do task shifting, defendendo uma reorganização dos cuidados de saúde baseada nas competências de cada profissão, de forma a otimizar os recursos disponíveis e a garantir respostas mais eficientes, seguras e sustentáveis para os cidadãos.
O painel abordou ainda a temática do One Health, com o bastonário a sublinhar que a resistência antimicrobiana (RAM) constitui um dos exemplos mais claros da interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental. A RAM é um desafio global que envolve múltiplas dimensões, nomeadamente prescrição, dispensa, uso, adesão, produção agroalimentar e pecuária, vigilância epidemiológica e literacia.
"Não é apenas um problema médico, farmacêutico ou veterinário", afirmou, acrescentando que "nenhuma profissão, isoladamente, consegue responder" a este desafio. Neste contexto, defendeu a criação de mais espaços de formação e colaboração interprofissional, através de unidades curriculares partilhadas, projetos conjuntos e iniciativas de investigação aplicada.
O último tema em debate incidiu sobre a articulação entre a academia e a prática profissional. Para Helder Mota Filipe é necessário repensar de forma integrada o que significa formar profissionais de saúde em contexto real de prática.
"Em saúde, não basta adquirir conhecimento na sala de aula. É no contacto com a prática, com os doentes e com as equipas multidisciplinares que esse conhecimento se transforma verdadeiramente em competência", defendeu.
O bastonário apontou a necessidade de promover um amplo consenso em torno do ensino clínico em saúde, assente em princípios comuns como a prática supervisionada de qualidade, orientadores reconhecidos e capacitados, objetivos de aprendizagem claros, avaliação por competências, integração interprofissional, ligação às necessidades do sistema de saúde e adequado reconhecimento académico e profissional.