Modelo canadiano inspira Portugal na intervenção farmacêutica em situações clínicas ligeiras
02 Setembro 2026
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) reuniu com a Canadian Pharmacists Association (CPhA), à margem do 84.º Congresso Mundial da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), em Montréal, para conhecer a experiência canadiana na intervenção farmacêutica em situações clínicas ligeiras e identificar modelos que possam inspirar o seu desenvolvimento em Portugal.
A reunião contou com a participação de Deb Saltmarche, Chair da CPhA, e de Sadaf Faisal, Chief Pharmacist Officer. Pela Ordem dos Farmacêuticos estiveram presentes Helder Mota Filipe, Bastonário, Catarina Coelho, Diretora Nacional, Ricardo Santos, Secretário-Geral, e Diogo Morim, Secretário Técnico das Relações Internacionais e Juventude.
O modelo canadiano tem uma experiência de mais de duas décadas. A partir de 2003, algumas províncias começaram a implementar Minor Ailment Schemes, serviços financiados pelo governo que permitem ao farmacêutico comunitário avaliar e gerir situações clínicas de menor gravidade, incluindo, em determinadas circunstâncias, a indicação de medicamentos sem necessidade de consulta médica.
Atualmente, a intervenção em minor ailments está presente nas diferentes províncias canadianas, embora com modelos, protocolos e listas de situações clínicas abrangidas que variam de acordo com cada jurisdição. Esta diversidade resulta da organização descentralizada do sistema de saúde canadiano, em que as províncias assumem responsabilidades próprias na definição e financiamento dos serviços de saúde.
Durante a reunião, foi destacada a experiência de Alberta, onde os farmacêuticos dispõem de competências particularmente alargadas, incluindo a possibilidade de prescrição farmacêutica em determinadas situações.
Com cerca de 50 mil farmacêuticos e 10 mil farmácias, o Canadá apresenta uma experiência relevante na utilização da rede de farmácias comunitárias como primeiro ponto de contacto para situações de menor gravidade, contribuindo para melhorar o acesso dos cidadãos e otimizar a utilização dos recursos de saúde.
A experiência canadiana constitui, assim, uma referência para a Ordem dos Farmacêuticos na reflexão sobre um modelo de intervenção farmacêutica adequado à realidade portuguesa, valorizando a proximidade e as competências dos farmacêuticos e reforçando o seu contributo para uma resposta mais acessível e eficiente às necessidades de saúde da população.