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Surto de Ébola: Emergência de saúde pública de âmbito internacional
19 Maio 2026
Um surto de Ébola causado pelo vírus Bundibugyo, a decorrer atualmente na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda, foi declarado uma emergência de saúde pública de âmbito internacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
QUAIS AS RAZÕES PARA ESTA DESIGNAÇÃO?
Até ao dia 19 de maio, foram reportados mais de 500 casos e cerca de 130 óbitos suspeitos na RDC, com 30 casos já confirmados.
Adicionalmente, têm sido reportados aglomerados de mortes na comunidade em várias zonas desta província com sintomas compatíveis com infeção por vírus Bundibugyo, bem como quatro óbitos de profissionais de saúde em contexto clínico sugestivo da doença.
No Uganda foram confirmados dois casos adicionais, com uma morte, em indivíduos com histórico de viagem a partir da RDC.
Adicionalmente, têm sido reportados aglomerados de mortes na comunidade em várias zonas desta província com sintomas compatíveis com infeção por vírus Bundibugyo, bem como quatro óbitos de profissionais de saúde em contexto clínico sugestivo da doença.
No Uganda foram confirmados dois casos adicionais, com uma morte, em indivíduos com histórico de viagem a partir da RDC.
A OMS considera existirem incertezas significativas no que concerne à cadeia de transmissão dos casos, ao verdadeiro número de infetados, bem como à área geográfica afetada. Os dados atualmente conhecidos apontam para que o surto tenha dimensões muito superiores ao que já foi detetado, com risco significativo de disseminação local e regional, agravado, entre outros fatores, pela crise humanitária, problemas de insegurança e elevada mobilidade das populações.
EM QUE CONSISTE A ÉBOLA?
A Ébola é uma doença viral grave, com uma taxa de fatalidade que ronda os 50%, mas que pode alcançar os 90%. Conhecem-se quatro vírus associados a surtos desta doença: o vírus Zaire, o vírus Sudão, o vírus Bundibugyo e o vírus Taï Forest. Apenas para o primeiro existem vacinas e tratamentos aprovados.
TRANSMISSÃO
Os hospedeiros naturais destes vírus serão espécies de morcegos frugívoros. O contacto próximo com animais infetados, como morcegos, gorilas, chimpanzés, macacos e outros mamíferos, pode introduzi-los nas populações humanas.
A transmissão de animais para pessoas pode ocorrer através de:
- Contacto direto com sangue e outros fluidos corporais de animais portadores da doença;
- Consumo ou manuseamento da carne de animais infetados.
A transmissão entre pessoas pode ocorrer através de:
- Contacto direto das membranas mucosas ou da pele lesada com sangue ou outros fluidos corporais, como vómitos, urinas, fezes, saliva ou sémen, de uma pessoa infetada, ou que tenha falecido devido à doença;
- Contacto com objetos, roupas ou superfícies contaminadas por fluidos de indivíduos infetados (vivos ou mortos);
- Transmissão vertical durante a gravidez;
- Relação sexual não protegida com homens que recuperaram da doença, uma vez que o vírus pode ser transmitido através do sémen até 12-15 meses após a recuperação clínica.
- Não existe atualmente evidência que suporte a transmissão do vírus através de fluído vaginal de uma pessoa recuperada da doença.
A doença é transmissível a partir do início dos sintomas e enquanto o vírus permanecer no sangue da pessoa infetada. Em alguns sobreviventes, estes vírus podem persistir em locais do organismo como o sistema nervoso central, o humor aquoso e os testículos, podendo resultar em novas transmissões. O período de incubação varia entre 2-21 dias após a exposição, estimando-se um período médio de cerca de 6 dias.
Os profissionais de saúde podem ser infetados em contexto nosocomial e as instituições de prestação de cuidados de saúde podem ter um papel substancial na amplificação de surtos da doença, especialmente nas fases iniciais, quando o diagnóstico não está definitivamente estabelecido.
SINTOMAS
Os sintomas podem instalar-se subitamente. Incluem inicialmente:
- Febre
- Fadiga
- Mal-estar
- Dores musculares
- Cefaleias
- Dores de garganta
Posteriormente desenvolvem-se:
- Vómitos
- Diarreia
- Dor abdominal
- Anorexia
- Erupções cutâneas
- Sintomas respiratórios
- Manifestações de insuficiência renal e hepática
- Confusão, irritabilidade e agressividade
- Hemorragias internas e externas
A confirmação do diagnóstico requer a realização de análises laboratoriais em amostras de sangue, já que os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras doenças infeciosas. As amostras recolhidas aos casos suspeitos constituem um risco biológico extremo e requerem procedimentos rigorosos de manuseamento.
TRATAMENTO
O pilar do tratamento são as medidas de suporte e de gestão de comorbilidades e complicações, por forma a otimizar as hipóteses de sobrevivência. As infeções por vírus Zaire podem ainda ser tratadas com anticorpos monoclonais, que vão unir-se e neutralizar as partículas virais em circulação, inibindo a entrada do vírus nas células.
As terapêuticas dirigidas para os outros vírus estão ainda em fase de investigação.
VACINAÇÃO
Existem atualmente vacinas aprovadas contra o vírus Zaire; vacinas direcionadas contra os outros vírus encontram-se atualmente em investigação. As vacinas contra o vírus Zaire estão indicadas em contextos específicos e podem ser um dos componentes da resposta coordenada a surtos.
QUAIS SÃO AS MEDIDAS INDIVIDUAIS DE PREVENÇÃO E CONTROLO DO ÉBOLA?
A adoção de comportamentos preventivos é muito importante para quem habite ou viaje para um país afetado pela doença.
Entre as medidas a cumprir incluem-se:
- Evitar o contacto com animais potencialmente transmissores da doença, como os morcegos da fruta, símios, macacos, entre outros, ou com a carne destes animais;
- Evitar contactar com pessoas infetadas (ou com os cadáveres);
- Manter boas práticas de higiene das mãos;
- Evitar relações sexuais não protegidas.
Uma pessoa que tenha regressado de uma área afetada por um surto há menos de 21 dias e que apresente sintomas suspeitos não deve deslocar-se nem contactar com outras pessoas, devendo ligar imediatamente para o SNS 24 – 808 24 24 24.
QUE GRAU DE RISCO EXISTE ATUALMENTE PARA A POPULAÇÃO EUROPEIA?
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), com base na informação atualmente disponível, avalia o risco de infeção de habitantes ou viajantes provenientes do continente europeu para a província de Ituri como baixo.
A probabilidade de infeção da população europeia é considerada muito baixa, dada elevada improbabilidade de importação de casos e da sua transmissão secundária na Europa.
O ECDC encontra-se a monitorizar este surto e as potenciais implicações para a Europa, permanecendo em contacto estreito com o Centro Africano de Prevenção e Controlo de Doenças, com a OMS e com a Comissão Europeia.